A Verdade Sobre o Vinho Tinto e Sua Saúde

Red Wine Health

Vi este texto no The Huffington Post e quis traduzir e publicar aqui pra vocês. Com tanta discussão sobre os benefícios/malefícios do álcool, este artigo é muito informativo e cheio de conclusões científicas bem do jeitinho que eu gosto.

O texto é longo, mas vale a pena chegar na parte que fala sobre os benefícios de qualquer tipo de bebida alcoólica consumida com moderação – elas fazem bem, sabiam? Boa leitura!

A Verdade Sobre o Vinho Tinto e Sua Saúde

Por Angelica Catalano para YouBeauty

Manchetes recentes causaram um pouco de confusão, chamando o vinho tinto de uma “super bebida cheia de hype”, colocando em questão as afirmações de que o líquido vermelho é melhor mesmo para nós do que as outras bebidas alcoólicas.

Mas antes de deixar de lado seu Pinor Noir e fazer um último brinde com o seu Cabernet preferido, vamos revisitar os ingredientes anti-envelhecimento do vinho tinto e ver o que as últimas pesquisas revelam.

Resveratrol

Este antioxidante, que provém das cascas da uva, tem sido celebrado como um anti-envelhecedor e benéfico para o coração. O problema é que a quantidade de resveratrol em uma taça de vinho (cerca de 1 miligrama) é mínima. Você teria de consumir uma quantidade impensável de vinho para (hipoteticamente) ativar as proteínas sirtuínas, as proclamadas enzimas “milagrosas” que ativam seu metabolismo e podem prolongar sua vida. Isso tudo porque estudos preliminares sugerem que estas proteínas podem ser ativadas pelo resveratrol.

Agora existem grandes dúvidas sobre a eficácia do resveratrol. Mesmo em grandes concentrações novas pesquisas desafiam a ideia de que ele tem propriedades anti-idade.
Em moscas-da-fruta, pesquisadores não conseguiram ativar a sirtuína com o resveratrol. Em vermes, eles perceberam que os efeitos de longevidade desapareciam após um período. Parece que os estudos originais não eram tão sólidos assim (talvez por um possível erro de projeto) e as pessoas podem ter ficado um pouco empolgadas demais com as descobertas antes que evidências sólidas fossem obtidas.

Mesmo assim, o apoio ao resveratrol continua – a Sitris Pharmaceuticals está trabalhando em adaptar as enzimas para remédios que possam prolongar a vida.

“Como com qualquer tipo de ‘componente milagroso’ encontrado em alimentos, as pessoas tendem a olhar para um composto químico e querer usá-lo como suplemento, separando-o de toda a matriz alimentar”, explica Kathy Arnink, viticulturista e enóloga (tradução: ela é especialista na ciência, produção e estudo de uvas e fabricação de vinho) da Universidade Cornell.

“Com vinhos, existem muitos componentes que oferecem benefícios à saúde”, ela diz. “Estes componentes incluem derivados de plantas chamados flavonóides. Flavonóides em alimentos (em frutas pequenas como amoras, cerejas, morangos e claro, em uvas) podem aumentar a ação antioxidante nas nossas células, ajudando a combater os radicais livres – os agentes prejudiciais em seu corpo que podem levar a doenças do coração e câncer.

Flavonóides

Flavonóides chamados antocianinas são o que dão a cor vermelho intenso ao seu vinho, mas ainda não existem evidências de que bebê-los juntamente com o vinho possa trazer benefícios diretos à saúde.
Algumas pesquisas apontam para cadeias de polímeros de flavonóides chamadas “proantocianinas”, como taninos condensados.

Aquele sabor azedo que sentimos quanto bebemos vinho tinto vem dos taninos encontrados no caule da videira e nas cascas e sementes da uva. Os taninos deixam a boca amarga e seca, e é um dos motivos pelos quais um vinho “tanínico” pode ter sedimentos no fundo da garrafa. Proantocianidinas são associadas com um risco reduzido de doenças do coração. Eles ajudam a manter o colágeno e a elastina – as proteínas que compõem o tecido conector em nosso corpo que nos dá uma pele mais jovem e sem rugas.

Um estúdio na revista Nature descobriu que os vinhos locais da Sardenha, na Itália, e no sudoeste da França possuem até quatro vezes mais procianidinas (um tipo específico de proantocianidinas) do que outros vinhos. As pessoas nestas regiões são conhecidas por sua longevidade, o que sugere que os benefícios do vinho podem contribuir para uma vida mais longa.

“Bebedores de vinho tendem a ter maiores benefícios, especialmente se eles bebem um pouquinho todos os dias e não exageram” diz R. Curtis Ellison, médico e diretor do Instituto de Estilo de Vida e Saúde na Boston University School. “Para prevenir o Mal de Alzheimer e outros tipos de demência e para a maior parte das doenças do envelhecimento, o vinho parece ser mais benéfico do que outras bebidas – é especialmente melhor do que quantidades similares de etanol (álcool) de bebidas destiladas – em termos de benefícios à saúde”, diz o Dr. Ellison.

Os cientistas estão no momento desmembrando os componentes do vinho, para descobrir se as substâncias isoladas podem trazer uma parte dos benefícios ligados ao vinho.

Os Benefícios da Bebida

Em geral, bebedores moderados possuem benefícios na saúde do coração, reforçando uma teoria de que não é o resveratrol ou flavonóides no fim das contas, mas qualquer tipo de álcool, até mesmo a tequila. “Muitos produtos químicos, incluindo o etanol, podem possuir efeitos saudáveis em nossos corpos” diz Arnink. “O desafio de longo prazo para os pesquisadores é determinar como é que todos estes químicos, juntos, melhoram a saúde humana.”

Um estudo recente demonstra que beber moderadamente (uma dose alcoólica por dia) melhorava as chances de “envelhecimento com sucesso” aos 70 anos – sem câncer, doenças do coração ou declínio cognitivo significativo. O estudo também descobriu que mulheres que consomem um ou dois drinques por dia possuem uma chance ainda maior de boa saúde, quase 30% maior do que mulheres abstêmias.

“O fator mais importante é o hábito de beber: pequenas quantidades – um drinque ou dois – em quase todos os dias da semana, sem exageros” diz o Dr. Ellison.

Mas o que é uma unidade alcoólica? Uma taça de vinho para as mulheres é 150ml, a mesma quantidade alcoólica de uma garrafa long-neck de cerveja ou um shot de bebidas destiladas como uísque ou vodka.

Beber quatro doses destas em menos de duas horas, que é considerado um exagero, pode ter o efeito contrário, colocando a pessoa em risco maior de doenças do coração devido à pressão aumentada do sangue e os triglicerídeos, que contribuem para o aumento do colesterol.

Quanto É Doce

Apesar de o vinho, quando consumido com moderação, parecer praticamente uma bebida saudável, também contém açúcar. Mas descobrir quanto açúcar você está consumindo é difícil. A maioria dos países não indica a quantidade de açúcar no rótulo. Uma dica de saber quanto “açúcar residual” o vinho tem é saber se o vinho é seco ou doce.

“Durante o processo de fabricação do vinho, o fermento converte os açúcares naturais das uvas em álcool”, explica Bernardo Hickin, vinificador chefe da Jacob’s Creek na Austrália. “A quantidade de açúcar que resta no vinho depois do processo de fermentação, chamado açúcar residual, pode variar dependendo de uma certa quantidade de fatores.”

Quanto mais açúcar residual, mais doce é o vinho. “Níveis mais altos de açúcar tendem a ser presentes em uvas cultivadas em regiões quentes, comparado a regiões mais frias”, nota Hickin. “As variedades de uvas vermelhas normalmente são colhidas com uma quantidade maior de açúcar do que uvas brancas.”

Se você quer cortar o açúcar, ficar com vinhos mais secos ao invés de doces (como os Rieslings, vinhos de sobremesa e ice wines) pdoe ajudar, mas não é assim tão simples. Para complicar ainda mais as coisas, outros fatores afetam a quantidade de açúcar do vinho, como a quantidade de álcool e o nível de acidez do vinho. Mais ou menos assim: um vinho pode parecer seco mesmo se contiver muito açúcar (até 9g por litro) se também for ácido.

Aqui vai um resumo de tipos de vinho e quanto açúcar eles contêm:

Seco: 4g por litro, não muito doce.

Demi-sec: 4-12g por litro, ou cerca de 0.5g a 2g por taça.

Doce: Mais de 45g por litro, 6g ou mais por taça.

E o que é pior, o vinho não é livre de calorias (suspiro). Uma taça normalmente contém cerca de 105 calorias, o que não é terrível comparado a uma margarita gigante com suas 500 calorias, mas se você estiver cuidando de seu peso, duas ou mais taças podem se tornar um problema.

Vinhos Orgânicos

Pensando em entrar na onda dos vinhos orgânicos? Você não está sozinho. Apesar da definição de o que é “orgânico” variar de acordo com o país, normalmente são vinhos feitos com uvas sem fertilizantes, fungicidas, pesticidas e herbicidas.

Então vinhos orgânicos são uma opção mais saudável? De acordo com o Dr. Ellison, não necessariamente. “Enquanto vinhos produzidos organicamente são melhores para o planeta, não sei de nenhum estudo que diz que eles sejam melhores para a saúde”, ele diz. “Todos os vinhos possuem álcool e alguns polifenóis, então eu duvido que haja qualquer diferença entre vinhos orgânicos e outros vinhos.

No fim das contas: se você não gosta de vinho tinto, não precisa se obrigar a beber um pouco por suas propriedades benéficas. Mas se você adora uma taça de Syrah, é ótimo saber que podemos apreciar uma taça sem culpa juntamente com o jantar quase sempre. Façamos um brinde a isso!

Post original:

The Truth About Red Wine And Your Health

por Angelica Catalano para YouBeauty

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P.S. (Eu não sou muito fã de vinho tinto, me faz mal para o estômago e não consigo me acostumar com os taninos. Mas vinho branco… não resisto!)

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Todas as receitas estão aqui:

5 comentarios em “A Verdade Sobre o Vinho Tinto e Sua Saúde”


  • Olá Carolina,

    Adorei a matéria apesar da não comprovação dos grandes benefícios. Vou continuar bebendo a pedido do meu médico, rsrsrs. (1 taça por dia gigante claro). Para mim é fonte de juventude e alegria eternas.
    Bjs
    Ivete

    • Carolina Garofani

      Ivete mas sabe que eu acho que o prazer da comida e da bebida é um dos maiores benefícios?
      Se você comer direitinho e sem culpa, aproveitando MESMO, é bem melhor… se for uma taça de vinho então nem se fala! ;)
      Um beijao!

  • Olá. Bom, você não deve se lembrar de mim. Há alguns anos, conversamos algumas vezes pelo ICQ. Eu era conhecida do Artur Marcarenhas, de São Paulo. Nem lembro o meu nick na época. Ando me arriscando nos doces também, principalmente cupcakes. Achei muito legal saber que você está indo por este caminho. Sempre acompanhei seu blog, mas nunca comentei. Se eu tivesse condições, faria todo tipo de curso. Mas só pra ter uma noção da parte teórica, pretendo fazer um curso de confeitaria no Senai, ano que vem. Boa sorte na sua empreitada. Abraços, Camila

  • Adorei seu blog e fiquei doida pelos cookies de doce de leite. ahhh!
    =)
    Beijinhos.

    • Carolina Garofani

      Oi Juliana! Você chegou a fazer os cookies?
      Uma amiga fez esses dias e eu lembro que a massa ficava até mole demais.. preciso rever essa receita! Se você tiver feito, me avisa como foi e como ficaram!
      Um beijao!

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Quem?

Carolina Garofani é uma ex-ilustradora que descobriu na confeitaria uma paixão infinita. Hoje trabalha como pâtissiére de verdade e neste blog conta seus sucessos e desastres na cozinha e dá várias dicas pra quem quer fazer doces surpreendentes e fáceis.
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