Glúten: o que é e quem são os intolerantes a ele

Adivinharam: mais um post técnico e bem chato.

Seguindo o post da Série Ingredientes sobre farinha, este post é um complemento: sobre o glúten.

O glúten é aquela malha formada pelas proteínas de algumas farinhas (como o trigo) com adição de água e movimento mecânico. É ele que deixa o panettone tão fofo e molhadinho.

Hoje em dia se fala muito em alergias e intolerâncias, e cada vez mais gente se descobre intolerante ou alérgico a glúten. Algumas pessoas têm dificuldade em digerir o glúten, e não podem comer pão, nem massas, nem bolos, nem biscoitos nem nada que seja feito com farinha de trigo e algumas outras.

Que vida triste né?

Peraí, não diga isso ainda. Essa não é a história inteira…

O Consumo Mundial de Glúten

Os intolerantes e alérgicos são cerca de 6% da população mundial e isso não tem cura: a pessoa precisa aprender a viver com isso e mudar sua dieta para uma dieta sem glúten. Uma pessoa celíaca pode ter sintomas como diarreia crônica, vômito, perda de peso, acne, fadiga e inchaço. Na Italia é um problema enorme, e é facil de imaginar o motivo: a dieta deles é baseada em massas e pães, que eles consomem em todas as refeições. Eles também incluem muitos legumes e verduras e muitas frutas na dieta, e muito peixe, mas é impossível ter uma mesa de almoço italiana sem uma cestinha de pão.

Aqui no Brasil é parecido, não? O nosso pão do café da manhã e da tarde, e aquela macarronada que todo mundo gosta. Consumimos menos glúten do que os franceses e italianos, mas ainda é difícil evitá-lo pra quem não pode. É uma questão de qualidade de vida: você não vai insistir em consumir um tipo de alimento que te faz mal.

E o que nós confeiteiros temos a ver com isso? Eu explico:

Existem dois tipos de celíacos: uns que são intolerantes ao glúten e outros que são alérgicos a ele. E mesmo assim existem níveis diferentes para cada coisa. Algumas pessoas podem consumir de vez em quando, se sentir meio mal e melhoram, outras vão parar no hospital e outras podem até morrer. Eu por exemplo sou intolerante à capsaiscina, que é uma substância irritante contida nos pimentões e pimentas de todos os tipos, e também na páprica (que é feita de pimentão seco e moído) e em alguns tipos de curry. Ou seja, comida indiana pra mim nem pensar. Só que se eu como, eu fico meio ruim e com muito sono – mas não fico inchada nem vou para o hospital. Não é uma condição séria, mas é o suficiente pra estragar meu dia. Isso é intolerância. É uma intolerância rara, mas me faz ficar atenta a todas as comidas alaranjadas ou com pedacinhos vermelhos.

A alergia é bem mais séria. Quem é alérgico a glúten ou ao trigo mesmo não pode comer nada feito com farinha de trigo, e também não pode comer nada que tenha sido preparado em ambientes onde a farinha de trigo está presente. Complicado né? Se um pouquinho só de farinha, mesmo a farinha em suspensão no ar, entrar em contato com o alimento sem glúten a pessoa pode se sentir mal. Uma pessoa assim sequer pode torrar seu pão na mesma torradeira que o resto da família. Felizmente os alérgicos são muito poucos, mas só consigo imaginar como deve ser tomar tanto cuidado com tudo que você come.

Estes são os grãos que formam o glúten, responsável pela textura elástica e molhadinha dos produtos:

Cereais que Formam Glúten:

- TRIGO

- CEVADA

- TRITICALE

- KAMUT

- CENTEIO

- AVEIA

Mas esperem: não são todos as farinhas que formam glúten!

Felizmente hoje em dia possuímos outras alternativas de farinhas deliciosas e que podem ser usadas para fazer produtos como massas e pães, e até pizza:

Não Formam Glúten:

- ARROZ

- MILHO

- QUINOA

- SOJA

- BATATA

- MANDIOCA

- E sementes como amaranto ou girassol, e farinhas de coco e banana, etc.

Ou seja, qualquer coisa feita com farinha de arroz é segura para um celíaco, desde que seja preparada com cuidado para não ser contaminada por farinha de trigo ou as outras.

O que precisamos fazer é prestar atenção nestas alternativas para incorporá-las à dieta de todos nós: strongcelíacos não são doentes,/strong são apenas pessoas com particularidades alimentares. Quantos intolerantes à lactose vocês conhecem? E querem saber? Eu adoro biscoitos de farinha de arroz e sempre tenho essa farinha em casa – e quando eu sirvo algum ninguém nem nota a diferença.

Para biscoitos a farinha de arroz é perfeita – porque o biscoito quase não precisa de estrutura glutínica pra ficar certo. O cuidado que eu tomo é fazer as receitas sem glúten por primeiro de manhã, com a cozinha limpa, sem nenhum traço de farinha.

Este blog é de uma garota celíaca que é casada com um chef, e é o máximo. Eles tem muuuitas, mas muitas receitas!

Gluten Free Girl and The Chef

Eu sei que nem todo mundo sabe inglês.

E por isso prometo que de hoje em diante vou postar também receitas assinaladas sem glúten (e sem lactose também)!

-

Para saber mais:

– Associação dos Celíacos do PR

RA – Associação dos Celíacos do Brasil

Sem Glúten

Manual Para Celíacos (PDF)

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Todas as receitas estão aqui:

1 comentario em “Glúten: o que é e quem são os intolerantes a ele”


  • Muito legal ter dedicado esse post aos celíacos!
    Apesar de não possuir nem intolerância e nem alergia, convivo com pessoa celíaca e minha gastroenterologista, a qual coincidentemente tenho retorno de consulta hoje, é especialista em Doença Celíaca (Dra. Lorete Kotze). Por isso, sei das dificuldades de muitos portadores.
    O que me preocupa é que o Brasil, apesar de ter a informação contida nas embalagens, nem sempre são verdadeiras. Em 2011, a CBN divulgou uma notícia dizendo que a Associação de Celíacos encontrou nos supermercados de Curitiba mais de 200 embalagens irregulares, isto é, que afirmam ser isentas de glúten porém a análise laboratorial revelou o contrário. Isto provavelmente é da moenda ou do forno sem a devida assepsia.
    Além disso, sempre leio com relação a chocolates e café, por exemplo, que pode conter traços de amendoim e castanhas ou nozes. O que é absurdo, se uma pessoa for alérgica às oleaginosas!
    No momento, doença celíaca está “na moda”. Mas há pessoas com restrições de vários tipos. A minha por exemplo é o álcool. É preciso saber levar, depois o esforço é zero e ninguém precisa abrir mão de sabor por conta de uma intolerância ou alergia. Suas receitas são prova disso :-)
    Adorei os novos tags que colocará em suas receitas. Assim, posso compartilhar com amigos específicos.

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Quem?

Carolina Garofani é uma ex-ilustradora que descobriu na confeitaria uma paixão infinita. Hoje trabalha como pâtissiére de verdade e neste blog conta seus sucessos e desastres na cozinha e dá várias dicas pra quem quer fazer doces surpreendentes e fáceis.
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